Teresa Almeida

O Teu Sentido de Moda é Sustentável?

 

Conceito de moda

Antes de mais procuremos entender qual o conceito de moda: é um uso ou um costume (hábito) que está em voga numa determinada região, durante um certo período. Pode definir-se como sendo um mecanismo que regula as escolhas e as preferências dos indivíduos, já que, devido a um tipo de pressão social, indica-lhes aquilo que devem consumir, utilizar, usar ou fazer. Pode-se reflectir em certos objectos ou aspectos visíveis (roupa, penteados, calçado, etc.), mas também em maneiras de estar e em comportamentos (ouvir um determinado estilo de música, frequentar certos restaurantes, ir de férias a determinados destinos).

 

Apesar da pressão social, adoptar uma moda é um acto voluntário, e quem prefere não seguir os códigos de vestuário ditados por outros muitas vezes acaba por ficar, de alguma forma, destacado da sociedade. Usar algo “fora de moda” pode ser mal visto e alvo de críticas ou de piadas de mau gosto, como também, pode ser um diferencial de status, em que quanto mais rico mais excêntrico lhe é “permitido” ser. No entanto, actualmente, o conceito de que “cada um cria a sua moda” procura oferecer mais liberdade e também conforto.

 

Lembremo-nos que ao longo da história, o vestuário estabeleceu-se como uma forma de status social para diferenciar os nobres do povo. Isso ainda ocorre, e quando uma tendência se torna muito popular ela é trocada por outra nova. Este sistema gera um fabrico constante de colecções conhecidas como fast fashions, com data de término pré-estabelecida por estações e temporadas. Os novos looks são rapidamente propagados pela comunicação social, que age reflectindo e legitimando novos hábitos e tendências de mercado.

 

 

Impactos sociais e ambientais na indústria da moda

Desde a etapa de produção de tecidos ao consumo desenfreado e descarte de peças usadas, a humanidade tem extraído uma grande quantidade de recursos naturais não renováveis, poluído e degradado a natureza, provocando alterações profundas no meio ambiente. Segundo a Environmental Protection Agency, a indústria têxtil está entre os quatro tipos de indústrias que mais consomem recursos naturais e que mais poluem. Além disso, este sistema fomenta a desigualdade sociocultural, ao utilizar empregos sazonais e informais para manter o baixo custo da produção.

Moda e preservação ambiental são, aparentemente, conceitos conflituantes: o primeiro está ligado a produtos com curtos ciclos de vida, já o segundo, leva em conta durabilidade, sustentabilidade e reutilização de produtos.

Há, no entanto, algumas “modas” mais aptas a mudanças do que outras: os chamados “clássicos” têm design menos datado no tempo, e por isso têm maior longevidade.

 

Além disso, a moda é, sobretudo, uma expressão do estilo pessoal, que demonstra a criatividade e o senso estético das pessoas. Através da moda pode expressar a sua individualidade, mas ao usar uma marca, o consumidor não está a comprar apenas a beleza da peça, está também a legitimar todo o seu processo produtivo e a promover o valor moral da empresa. Se esta utiliza trabalho escravo ou infantil na sua confecção e descarta resíduos químicos nocivos de forma incorreta no meio ambiente, o consumidor está a alimentar essas práticas. 

 

Assim, em algumas situações, os consumidores têm o poder de apoiar ou punir marcas pelas suas atitudes sociais e ambientais, através da sua escolha de compra. Para tal, é essencial estar informado acerca das práticas comuns da marca. Pode e deve questionar como, onde e por quem foi feita a roupa que pretende comprar.

 

São muitas as medidas que podem ser empregadas para reduzir os impactos sociais e ambientais na indústria da moda. Existem inúmeros processos e momentos de decisão diante dos quais uma marca adopta o seu posicionamento e pode investir no paradigma do desenvolvimento sustentável. Na confecção, a empresa pode decidir aumentar a vida útil de uma peça de roupa através do acabamento, pode usar tecidos que causem menor impacto ambiental, verificar a procedência das matérias-primas, assegurar condições dignas de trabalho, bem como realizar o upcycling.

 

Cabe às marcas e aos consumidores a decisão na escolha de um posicionamento ético frente à moda.

 

Correntes de pensamento e tendências 

Existem diversas correntes que proclamam o consumo consciente alinhado a uma proposta ecológica.

São elas:

 

 

Eco chic

O termo eco chic surge para provar que é possível unir elegância à responsabilidade com aspectos sócio ambientais. Um conceito de moda que atende a perspectiva de um consumidor eco chic é a moda ética.  

 

 

Moda ética

A Moda ética leva em consideração todo o impacto da dimensão sociocultural e ambiental inserida na concepção de um produto. O conceito ganhou destaque em 2004, com o Ethical Fashion Show, evento e manifesto realizado em Paris. O movimento questiona a exploração de funcionários de confecções, que muitas vezes são submetidos a condições idênticas ao trabalho escravo. No dia 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram no pior acidente da indústria da moda, no complexo de fábricas Rana Plaza em Dhaka, Bangladesh. Esse dia fatídico deu origem à organização Fashion Revolution, alinhada com os valores de moda ética, que instituiu-o como o Fashion Revolution Day. A organização propõe que se questione: quem fez as minhas roupas e sob quais condições?

 

 

Eco moda

A eco moda (ou moda ecológica) parte do mesmo conceito do eco design e considera as consequências ambientais em todas as etapas de desenvolvimento de um produto. Nesta tendência, reduz-se o consumo de recursos e são escolhidos materiais e processos que colaborem para diminuir o impacto ambiental durante o seu ciclo de vida. Desta maneira, recorre-se ao uso de tecidos de fibras orgânicas e métodos de produção que minimizem a contaminação ambiental, evitando ao máximo produtos químicos poluentes como corantes sintéticos. Algumas alternativas são o algodão orgânico e fibras de frutas (como o ananás e o abacaxi), de bambu e de cânhamo.

 

Ao pensar na sustentabilidade de um material, devemos considerar diversos factores, tais como a capacidade de renovação da fonte, o processo de transformação da fibra em tecido e a pegada de carbono total do material. De acordo com a fundação Earth Pledge, mais de oito mil produtos químicos são utilizados na indústria têxtil e 25% dos pesticidas do mundo são empregados no cultivo de algodão não orgânico. Os esforços para encontrar medidas que reduzam os danos na natureza durante o cultivo da matéria-prima, produção e transporte, tornam a moda sustentável tipicamente mais cara do que a fabricada por modelos convencionais.

 

 

Zero-waste fashion

O conceito de zero waste fashion refere-se à produção de roupas e acessórios que geram pouco ou nenhum resíduo na sua produção. Faz parte do movimento eco fashion e elimina o desperdício durante o fabrico dos produtos. Além de reutilizar retalhos para fazer detalhes de peças, o designer escolhe padrões que utilizem de forma eficiente o tecido.

 

 

Upcycle

A Upcycle é uma tendência que colabora para a redução de lixo e transforma objetos no fim da sua vida útil em novos produtos. A utilização de câmaras de ar de pneus para a confecção de artigos de moda é um exemplo desta tendência que tem crescido nos últimos tempos.

 

 

Slow fashion

Em contraposição ao fast fashion – sistema de produção de moda atual que prioriza o fabrico massificado, a globalização, o apelo visual, o novo, a dependência, a ocultação dos impactos ambientais do ciclo de vida do produto, o custo baseado em mão de obra e materiais baratos sem levar em conta aspectos sociais da produção-, o slow fashion surgiu como uma alternativa sócio ambiental mais sustentável no mundo da moda.

 

A prática do slow fashion preza pela diversidade; prioriza o local em relação ao global; promove consciência sócio ambiental; contribui para a confiança entre produtores e consumidores; pratica preços reais que incorporam custos sociais e ecológicos; e mantém a sua produção entre pequena e média escalas.

 

Concluindo, a moda sustentável surgiu da necessidade da nossa sociedade repensar a sua conduta do ponto de vista ecológico ao preocupar-se com a utilização de métodos que não produzam ou minimizem os impactos sócio ambientais gerados no processo de desenvolvimento de produtos.

 

Fontes: Earth Pledge, Fashion Revolution, Environmental Protection Agency

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