Teresa Almeida

Como é que sabes que é amor?

Ela tinha uma paixão secreta guardada há muitos anos numa das gavetas da sua alma. 

Queria perceber o que havia ali de tão desconcertante mas os medos são traiçoeiros. 

 

Ela pensou ok, era uma fantasia da adolescência, que nunca tinha saído à luz do dia e que tinha ficado guardada, embrulhada na esperança de um dia se poder descobrir o seu potencial mas, provavelmente, não havia nada para descobrir ali. 

 

Isto era o que lhe dizia a razão mas, o coração tinha outra opinião e assim, começou a guerra entre a razão e a emoção. 

 

O coração, que apesar de sentimental e porque não tem idade e mantém um certo sentido de humor às vezes um pouco inoportuno,  começou a questionar a razão, que é sempre mais séria e resmungona e de idade já mais avançada. 

 

Achas que não é nada? 

 

Acho.

 

Então porque é que eu fico feliz quando ele sorri?

 

Não sei, porque és um sentimentalóide e tudo te faz feliz ou triste, queres é sentir. 

 

E se não é nada porque é que tê-lo por perto sabe tão bem, traz-me esta sensação de paz e de tranquilidade? 

 

Isso é porque és um coração feminino e uma figura masculina deve trazer-te alguma segurança. 

 

Eu não falei em segurança, falei em tranquilidade, é um certo sossego na alma. 

 

E tu que és a razão e que conheces bem a personalidade da pequena, sabes que ela não procura nem encontra segurança no masculino, ela sente-se segura em si mesma. 

 

E já agora, tu que gostas de ter explicação para tudo, diz lá porque é que a voz dele é tão familiar que a paralisa por segundos quando não está à espera que ele esteja tão perto? 

 

É da surpresa, a pessoa é surpreendida e leva uns segundos a se recompor do inesperado, é normal. 

 

Sim, mas só acontece com ele, mais ninguém tem este efeito tão imediato e desconcertante, não achas estranho? 

 

Acho que não devemos alimentar as  fantasias e assim elas acabam por desaparecer, são ilusões que só servem para trazer stress, preocupação, desilusão e sofrimento. 

 

És tão pessimista. Deve ser tão triste não acreditar em nada e achar que tudo vai correr mal. 

Não sabes que o sonho alimenta a vida e a fantasia alimenta o sonho? E quem mantém os seus sonhos vivos, vive mais feliz e por mais tempo, porque a alma fica mais leve e eu mais cheio de amor para dar? 

 

Não, não sei. O que sei é que ser racional protege-te da dor, impede-te de te meteres em confusões e eu sou feliz à minha maneira, porque controlo o meu mundo e só corro os riscos que quero, até onde quero. 

 

Bem, é ela que escolhe quem vai seguir. Eu acho que vai escolher-me, porque ela gosta de sentir e isto é amor. 

 

Como é que sabes que é amor?

 

Porque o amor não se sabe, sente-se.

E eu, sinto.

 

Pois eu acho que ela escolhe a razão, porque ela é equilibrada e sempre me pôs em primeiro lugar. 

 

Veremos. Que ganhe aquele que lhe falar mais alto, alto o suficiente para lhe chegar à alma. 

 

Bem, sem sombra de dúvidas o grande vencedor foi o coração. 

A razão estava destroçada, disse-lhe vezes sem conta “não sabes no que te estás a meter, vais sair magoada, não devias fazer isto”. 

 

Mas ela mesmo sabendo que provavelmente a razão tinha razão, respondeu que o que sentia valia a pena o risco, que o seu gatinho por ser tão especial valia o risco e que devia isso a si mesma. 

 

Fosse qual fosse o resultado, tinha que partilhar aquilo que sentia ou nunca se iria perdoar por não ter tido a coragem de tentar. 

 

Aquele sentimento nunca tinha sido alimentado, tinha até ficado esquecido no tempo e, sempre que o via, sentia-se de uma maneira como não se sentia com mais ninguém, tinha que haver um motivo. 

 

E se fôr uma lição daquelas difíceis? 

 

Terá que ser aprendida.

 

Desculpa razão, mas vou seguir o que sinto. 

 

Tomada a decisão, impunha-se a questão: 

E agora como é que isto se faz?

Tu sabes quem vai gostar de ver isto!

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