Teresa Almeida

Sacos Plásticos, Vilões Imortais

Ok, Imortais é excessivo mas que são difíceis de destruir sem impactos ambientais, lá isso são.

 

 

Para vencer um inimigo, temos de o conhecer!

Um saco de plástico leve é aquele que tem na sua constituição plástico com uma espessura inferior ou igual a 50microns. Habitualmente são aqueles sacos que utilizamos para transportar as compras e que ao fim de alguns metros, consoante o peso no seu interior, podem começar a “cortar” a circulação nos nossos dedos e a transformar a deslocação numa sessão de tortura.

 

Estes sacos de plástico são geralmente os mais prejudiciais para o ambiente. Por serem menos resistentes e mais facilmente fragmentáveis, servem para muito poucas utilizações (estima-se que a vida útil de um saco “leve” é de apenas 25 minutos), no entanto, de acordo com dados da Agência Portuguesa de Ambiente, um saco de plástico “leve” pode levar cerca de 300 anos para desaparecer da natureza.

 

São também mais difíceis de tratar como resíduos: misturam-se com o lixo, prejudicando a reciclagem dos sacos e dos outros materiais. Vão por isso essencialmente para o aterro, apenas após uma ou duas utilizações.

 

Como são leves, voam facilmente, atingindo grandes distâncias e poluindo a natureza em terra e no mar.

 

Cada vez mais, surgem relatos de que baleias, tartarugas e muitos outros animais marinhos comem os sacos porque os confundem com os seus alimentos habituais, e acabam por encher o estômago com algo que não conseguem digerir, que lhes causa uma falsa sensação de saciedade e que lhes bloqueia o aparelho digestivo. Quando não morrem asfixiados morrem de fome com o estômago cheio!

TARTARUGA A COMER SACO DE PLÁSTICO

Tartaruga a engolir saco plástico leve

Como são degradáveis, separam-se em partículas finas, que entram nos ecossistemas e na nossa cadeia alimentar.

 

Uma investigação realizada pelo Algalita, um instituto independente de investigação marinha sedeado na Califórnia, concluiu em 2004 que as amostras de água do mar continham seis vezes mais plástico do que plâncton.

 

 

 

A “frente de combate” em Portugal

Numa tentativa de proteger o ambiente, através da redução do consumo deste tipo de sacos e promover a utilização de alternativas mais sustentáveis, passou a ser aplicável, em Portugal continental, uma contribuição sobre os mesmos a partir de 15 de fevereiro de 2015, que assim passaram a ter um custo mínimo de 10 cêntimos, sempre que disponibilizados nas lojas, restaurantes ou outros estabelecimentos.

 

 

 

E o resto da Europa, também paga?

Na Europa, a preocupação com o elevado consumo e os impactos ambientais e económicos destes sacos levou à aprovação, em 2014, de uma alteração à Diretiva de embalagens e resíduos de embalagens, que impõe aos Estados membros a adoção de medidas para a redução significativa do consumo destes sacos, mas são já muitos os exemplos europeus e internacionais de aplicação de taxas e mesmo de proibição da utilização de sacos de plástico leves.

 

Sacos de plastico

Cartaz de campanha de consciencialização da MEDASSET

Porque reduzir o consumo de sacos de plástico?

De entre vários motivos, alguns até já citados, estes são os essenciais:

 

  • Por minuto, são utilizados cerca de 1 milhão de sacos de plástico leves no mundo. Por ano, circulam 100.000 milhões na Europa.
 
  • Portugal é um dos países da Europa onde mais são utilizados e apenas por 1 vez.
 
  • Tudo isto para serem usados por apenas 25 minutos.
 
  • A produção, transporte e tratamento destas grandes quantidades de sacos em circulação é responsável pelo consumo de muitos recursos, incluindo água e petróleo.
 
  • No lixo misturam-se com o resto dos resíduos. Acabam por isso nos aterros ou no ambiente, onde podem permanecer mais de 300 anos.
 
  • Uma grande quantidade de sacos invade hoje os oceanos, onde são o 2.º resíduo mais encontrado à superfície do mar (depois das beatas dos cigarros).
 
  • Em terra e no mar asfixiam e são ingeridos pelos animais, reduzindo a biodiversidade e entrando na nossa cadeia alimentar.
 
  • Os sacos de plástico leves são prejudiciais para o ambiente e para a saúde.
sacos de barriga de baleia

80 sacos retirados do estômago do corpo duma baleia

Não servem para pôr o lixo?

Não. Os sacos de plástico leves são erradamente utilizados para colocar o lixo indiferenciado. Esses sacos não foram concebidos para esse fim e prejudicam o tratamento de resíduos. Além de que como já foi referido, são tão leves que á mais pequena brisa levantam voo para fora das zonas dos aterros e invadem a natureza.

 

Existem sacos próprios, mais adequados e acessíveis para o acondicionamento do lixo doméstico. Dentro destes, procure os sacos biodegradáveis e na dimensão mais próxima do que necessita.

 

Cerca de aterro sanitário

Cerca em rede de aterro sanitário tapada em sacos plásticos leves

Mas porquê pagar?

Para que se crie consciência de uma vez por todas de que o consumo descartável não pode continuar, não só em termos ambientais mas também em termos económicos. Se pagares por um saco não vais querer jogá-lo fora logo de seguida, e se fizeres contas aos sacos que compras cada vez que vais ao supermercado, é bem provável que percebas o impacto financeiro desse gasto no teu orçamento familiar. Não faças a conta a curto prazo mas sim a médio e longo prazo e é garantido que vais encarar de outro modo o uso de sacos mais resistentes e reutilizáveis. Mesmo que estes sejam um pouco mais caros no início ao fim de uns meses, de uso já compensaram o teu investimento.

 

Os consumidores têm em si a possibilidade de escolha e, com ela, o poder da mudança.  

 

 

Que alternativas existem?

A chave para a redução dos problemas ambientais dos sacos de plástico é a redução e a reutilização. Assim, quanto menos sacos utilizares, melhor. E para isso, quanto mais vezes utilizares o mesmo saco reutilizável, mais sustentável ele será. 

 

Os sacos de pano, muito mais resistentes e duradouros, podem durar uma vida, substituindo milhares de novos sacos de uso único .

Pensa nisto…

 

A medida implementada em Portugal tem como objectivo mudar hábitos, proteger o ambiente e proteger as pessoas. Se não quiseres pagar por cada saco quando vais às compras, leva o teu próprio saco reutilizável. A melhor forma de contribuíres positivamente neste processo é reduzir e recusar primeiro. A reciclagem deve ser encarada como uma última opção.

 

“[Quando se recicla] não se está a fazer algo de positivo pelo ambiente. Só se está a fazer algo que é menos mau”, explica Adam Minter, escritor e ativista. “Se queremos mesmo lidar com o problema dos resíduos que estamos a enfrentar, precisamos de pensar melhor sobre a natureza do próprio consumo.”

 

Está nas nossas mãos mudar.
 
Fontes: Agência Portuguesa de Ambiente; Agência Europeia do Ambiente; Waste Free Oceans; #ReadyToChange; National Geographic

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